Aranhas

As aranhas são frequentemente confundidas com insetos, porém, são artrópodes que pertencem à classe dos aracnídeos da qual também fazem parte os escorpiões, ácaros e carrapatos.

Os aracnídeos são caracterizados por apresentarem o corpo dividido em duas partes (cefalotórax e abdomen), quatro pares de pernas torácicas, um par de pedipalpos e um par de quelíceras que servem para injetar veneno nas presas.

As aranhas não possuem antenas como os insetos e a maioria das aranhas têm 8 olhos. Algumas têm 6, 4 ou 2 olhos, ou mesmo nenhum. Algumas aranhas de caverna, por exemplo, são cegas.

Todas as aranhas produzem seda, mas só algumas constroem teias para capturar os animais de que se alimentam. As outras aranhas usam as teias como moradas e para proteger seus ovos.

Muitas espécies vivem próximas, e até mesmo dentro de habitações humanas, favorecendo a ocorrência de acidentes.

As aranhas são predadoras, alimentando-se principalmente de insetos e pequenos invertebrados. Elas possuem glândulas produtoras de veneno que podem ser utilizadas para a captura de presas e como defesa.

No entanto, dentre as 35.000 espécies de aranhas catalogadas ao redor do planeta, somente 20 a 30 são consideradas perigosas ao homem.

No Brasil, as espécies peçonhentas de aranha mais envolvidas em acidentes pertencem aos gêneros phoneutria, loxosceles e latrodectus.

 

– Aranha Armadeira, Phoneutria sp.: Estas aranhas não fazem teias, são errantes e solitárias, podendo ser encontradas em lugares escuros. Podem entrar por debaixo das portas das residências, escondendo-se dentro de calçados. Geralmente à noite saem para caçar. São muito agressivas e assumem postura ameaçadora, “armando o bote”. Por isso elas possuem este nome.

São comuns os acidentes com este tipo de aranha, podendo ser graves para crianças menores de 7 anos. O sintoma predominante é uma dor intensa no local da picada. O tratamento em geral consiste de aplicação local de anestésico e, em casos graves, de aplicação do soro antiaracnídico.

– Aranha Marrom, Ioxosceles sp.: Esta aranha possui cor amarelada, sem manchas. Ela chega a atingir de 3 a 4 cm, incluindo as pernas. O corpo atinge de 1 a 2 cm. Os pêlos são poucos, curtos, quase invisíveis.

Essas aranhas vivem em teias irregulares, semelhantes a um lençol de algodão. Estas teias geralmente são construídas em lugares escuros, como tijolos, telhas, tocos de bambu, barrancos, cantos de parede e garagens.

Estas aranhas não são agressivas e os acidentes são raros, porém, geralmente graves. Os primeiros sintomas de envenenamento são uma sensação de queimadura e formação de ferida no local da picada. O tratamento é feito com soro antiaracnídico ou antiloxoscélico.

 

– Viúva Negra, Latrodectus sp.: Esta aranha possui cor preta, com manchas vermelhas no abdômen e às vezes nas pernas. São aranhas pequenas: a fêmea tem de 2,5 a 3 cm (o corpo com 1 a 1,5 cm) e o macho é de 3 a 4 vezes menor.

Elas vivem em teias que constroem em locais escuros sob vegetação rasteira, como arbustos, plantas de praia, barrancos, etc. No Brasil são conhecidos apenas alguns acidentes de pequena e média gravidade com este tipo de aranha e, por este motivo, não houve a produção de soro contra as espécies brasileiras.

 

Como medidas de prevenção de acidentes com aranhas peçonhentas recomenda-se:

•manter limpos quintais, jardins e terrenos baldios, não acumulando entulho e lixo doméstico;

•aparar a grama dos jardins e recolher as folhas caídas;

•vedar soleiras de portas com saquinhos de areia ou friso de borracha, colocar telas nas janelas, vedar ralos de pia, tanque e de chão com tela ou válvula apropriada;

•colocar o lixo em sacos plásticos, que devem ser mantidos fechados para evitar o aparecimento de baratas, moscas e insetos, que são o alimento predileto de aranhas e escorpiões;

•examinar roupas, calçados, toalhas e roupas de cama antes de usá-las;

•andar sempre calçado e usar luvas de raspa de couro ao trabalhar com material de construção, lenha, etc.;

•é recomendável capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a pessoa picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto. Virar um recipiente de vidro sobre a aranha, colocar uma folha de papel embaixo e virar o recipiente, tampando-o imediatamente.

Fonte: Instituto Butantan.

Instruções de como proceder ao ser picado por uma aranha peçonhenta:

•Não amarrar o membro acometido: o torniquete ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido.

•Não cortar o local da picada. Alguns venenos podem inclusive provocar hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue.

•Não chupar o local da picada: não se consegue retirar o veneno do organismo após a inoculação. A sucção pode piorar as condições do local atingido.

• Lavar o local da picada somente com água e sabão. Não colocar substâncias no local da picada, como folhas, querosene, pó de café, pois elas não impedem que o veneno seja absorvido, pelo contrário, podem provocar infecção.

• Evitar que o acidentado beba querosene, álcool ou outras bebidas Além de não neutralizarem a ação do veneno, podem causar intoxicações.

• Manter o acidentado em repouso. Caso a picada tiver ocorrido no pé ou perna, procurar manter a parte atingida em posição horizontal, evitando que o acidentado ande ou corra.

• Levar o acidentado o mais rapidamente possível a um serviço de saúde. É difícil estabelecer um prazo para o atendimento adequado, porém o tempo decorrido entre o acidente e o tratamento é um dos principais fatores para o prognóstico.

Capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a pessoa picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto.

• O tratamento costuma ser aplicação local de anestésico e analgésico e nos casos graves também deve ser usado o soro ANTIARACNÍDICO, conforme instruções da bula.

• Em São Paulo, a relação dos pontos estratégicos para o atendimento dos acidentes por animais peçonhentos está disponível no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/